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Wae rebo

Wae Rebo é uma pequena aldeia localizada em Flores, Indonésia. Seu nome significa algo como “a vila entre nuvens” e tem uma razão para ser, já que está localizada em um vale no topo de uma montanha, a 1200 metros acima do nível do mar e tem a reputação de estar quase sempre nublada e de receber muita chuva, até nos períodos mais secos da ilha. A aldeia já abrigou mais de 90 gerações, ou seja, tem mais de 1000 anos de vida e ainda mantém as mesmas tradições de séculos atrás. Tradições em quanto ao estilo de vida, moradia, roupas e rituais. Em Wae Rebo ainda vivem como uma tribo, mas aberta ao público há alguns anos. Existem 8 casas, ou Mbaru Niang, em forma de cone e cada uma tem cinco andares, distribuídos entre locais onde vivem algumas famílias, armazenamento de alimentos, ferramentas, sementes, etc. Para chegar ao topo, existe uma escada de bambu meio pequena para o nosso tamanho, mas para eles fácil de escalar. Uma dessas casas está feita para acomodar os viajantes, que você deve compartilhar com todos os turistas que vêm para dormir naquele dia. Outra casa é exclusivamente para realizar rituais e celebrações e é aí que eles te recebem em sua chegada na vila. Mbaru niang Wae Rebo ganhou popularidade entre os turistas locais e estrangeiros ao ser nominada pela UNESCO como uma vila cultural única no mundo e o melhor é que dá para passar uma noite com os locais, aprendendo do seu dia a dia, suas tradições e forma de vida. Desde que a gente viu fotos de Flores, decidimos que visitaríamos a vila, e foi uma experiência única e muito divertida!

  • Preço por visita durante o dia: IDR$200,000
  • Preço por estadia de uma noite com comida e alojamento: IDR$350,000
  • Café artesanal (saco pequeno): IDR$50,00

Por que visitar Wae Rebo?

Ainda continua sendo um lugar autêntico

Há uma discussão sobre se visitar a tribo ou não. Para algumas pessoas, o fato de elas cobrarem por visita faz com que se perca a autenticidade, mas na nossa opinião é algo muito pessoal. No nosso caso, preferimos ver com os nossos próprios olhos antes de tirar alguma conclusão. Com relação ao preço, é um pouco caro se você comparar com os padrões de lugares mais turísticos como Bali. Ainda mais se você somar o preço do táxi para chegar lá. É claro que a nossa visita a Wae Rebo saiu um pouco do nosso orçamento backpacker diário, no entanto, a maioria dos turistas que a visitam são locais e concordam que Wae Rebo ainda é uma aldeia autêntica, apesar de receber turistas e cobrar por isso. Wae Rebo

Ajuda a educação das crianças e manutenção da vila

Algumas crianças de Wae Rebo vão ao colégio durante a semana e ficam lá até o final de semana. Como Wae Rebo fica no meio das montanhas, as crianças precisam viajar horas a pé para estudar e por isso que podem voltar para casa todos os dias. Embora as pessoas de Wae Rebo não recebam o dinheiro diretamente todos os meses, elas recebem uma porcentagem no final do ano. Nós não concordamos com o fato de que eles só veem o dinheiro no final do ano e que outra pessoa recebe uma parte apenas por promover a cidade como um local turístico. No entanto, pagar a hospedagem ou pagar a visita durante o dia à tribo é uma forma de contribuir com sua alimentação, roupas, etc. Seja a longo prazo ou não, a questão é outra. Uma maneira de ajudá-los é comprar café diretamente dos chefes de família e não dos que vendem na casa principal onde os turistas dormem.

Aprender sobre como vivem há mais de 1000 anos

Poder conviver com os locais, receber esses sorrisos humildes, conhecer como vivem, suas tradições e rituais é uma experiência única. Eles vão te receber com uma cerimônia de boas vindas, vão te explicar sobre a arquitetura dos mbaru niang, sua vida espiritual e muito mais.

É um lugar maravilhoso

Não foi à toa que Wae Rebo ganhou um prêmio da Unesco por ser uma vila cultural única no mundo. Não é só o verde da paisagem que faz com que seja um lugar maravilhoso, mas também a estrutura das casas completa a paisagem. De noite, se você tiver sorte, vai poder ver as estrelas e a via láctea   num outro nível! Durante a manhã, quando o sol começa a aparecer entre as montanhas e os primeiros raios de luz iluminam a vila, você se sente afortunado por presenciar um espetáculo da natureza. É o momento ideal para tirar fotos da vila. Além disso, se você é amante dos trekkings no meio da natureza, então você não pode deixar de ir! Casa de Wae Rebo

É uma experiência diferente

A gente nunca esteve na África (ainda), nem em nenhuma tribo indígena e nem nunca fomos recebidos por uma cerimonia aonde o líder da tribo pede aos seus ancestrais que nos recebam. Estar em Wae Rebo é uma experiência simples, porém muito diferente do que a gente tinha feito na nossa viagem pela Ásia até o momento. Tínhamos convivido com minorias étnicas, mas nunca dormimos em um lugar tão mágico e especial.

Como chegar

  1. A maneira mais fácil e barata é voar de Bali ou Jakarta para Labuan Bajo, Ilha de Flores.
  2. Em seguida, pegue um táxi para Denge. Nós dividimos um táxi com alguns amigos que nós nos encontramos no albergue e saiu muito mais conveniente porque éramos 5 em um carro. Você pode ir em moto, mas eu não recomendo, porque as estradas são muito ruins e é muito longe. De táxi demorou 8 horas. Eles cobraram IDR $ 2.500.000 para sair no primeiro dia às 7:00 e voltar no dia seguinte às 9:00 da noite.
  3. O táxi vai deixá-lo em Denge (ou você vai chegar lá de moto) e lá você tem duas opções:
    1. Ir a Wae Rebo no mesmo dia.
    2. Se for muito tarde, você pode passar a noite em Denge (uma vila pequena com um homestay) e ir no dia seguinte a Wae e dormir lá ou voltar para dormir em Dengue. Só lembra de avisar ao seu motorista.
  4. De Denge você tem que caminhar umas 3 horas ou você pode negociar com umas motos que te levam por 1,5 km e assim você tem que andar apenas 2 horas. A estrada é bem marcada e é super difícil de se perder. Em Denge você pode contratar um guia se quiser. Se você for em um grupo, eu acho que não é necessário ter um guia, mas se você for sozinho, é sempre bom caminhar com outra pessoa.

Sobre nossa experiência em Wae Rebo

Depois de um longa jornada de carro em estradas muito ruins e cheias de buraco, 2 horas de trekking com muito calor e humidade, chegamos a uma pequena plataforma onde já dava pra ver as pontas das casas tão características da vila. Nosso guia nos avisou que devíamos tocar um instrumento de madeira para avisar a tribo que estávamos chegando. Tiago se aproximou e bateu duas vezes com um bastão em uma estrutura de madeira. Continuamos andando alguns metros até encontrar as casas em forma de cone, que resultaram ser bem grandes. O líder ou chefe da tribo (Alex) nos recebeu com um aperto de mão e nos convidou a entrar a uma das casas para iniciar a cerimônia de boas-vindas. Nós nos sentamos no chão, de pernas cruzadas e ele começou a falar em indonésio. Para nossa sorte, nossos amigos da Malásia e um da Indonésia, puderam traduzir tudo o que Alex ia dizendo no meio do ritual. Ele nos contou sobre suas tradições, rituais e como eles vivem em Wae Rebo. No meio da cerimônia ele pediu permissão aos antepassados ​​para nos receber na tribo e mencionou que, se eles nos recebessem, a gente seria aceito como membro da tribo. Depois da cerimônia, passamos a conversar com alguns membros da tribo e com outros turistas locais que estavam por lá. Na casa destinada aos turistas, você deve escolher um dos colchões que estão no chão para ser sua cama e, em seguida, está a opção de tomar um banho se você quiser, o que era uma ótima ideia depois daquela caminhada. A estrutura do banheiros é super simples e nem precisa dizer que a água é fria né. Todos os turistas são chamados a sentar-se no chão em um círculo e é quando eles servem a janta, que você compartilha apenas com turistas locais e estrangeiros. O jantar foi super simples, um pouco de arroz e um mini pedaço de frango com alguns legumes. Com a fome que a gente estava, comemos com prazer. Depois do jantar, era hora de continuar a conversa com algumas pessoas da tribo e ver as estrelas, já que o céu estava super limpo. Por volta das 9:00 da noite, a Via Láctea apareceu de trás da montanha e foi um bom momento para pegar o tripé, câmera e tirar algumas fotos.

Cielo en Wae Rebo
Cielo en Wae Rebo

Às 22:00 horas todas as luzes se apagaram e era hora de ir para a cama, já que tínhamos que madrugar no dia seguinte. Wae Rebo não é diferente do resto da Ásia e lá também se levanta cedo! Às 5:30 estavam quase todos acordados e era um bom momento para brincar com as crianças da aldeia e continuar conversando com o resto da tribo. Antes de sermos chamados para o café da manhã, vimos os raios de luz começarem a iluminar Wae Rebo. Alguém da tribo tocou um instrumento avisando que ir a tomar o café da manhã. Quando todo mundo entrou, foi o momento de tirar uma foto sem ninguém no meio!

Wae Rebo
Wae Rebo

Depois do café da manhã, tivemos que começar nossa descida para Denge para tomar nosso táxi a Labuan Bajo.

O quê saber antes de visitar Wae Rebo

  • Alguns metros antes de entrar na vila, você encontrará uma plataforma de madeira que você deve subir e tocar um instrumento de madeira, para avisar que você está chegando.
  • Você não deve tirar fotos antes da cerimônia de boas-vindas.
  • Sempre que você for tirar um retrato, peça permissão primeiro.
  • As pessoas são muito tímidas. Se você quiser passar algum tempo com eles, você tem que abordá-los e se comunicar, mesmo que seja por mimica.
  • A noite pode ser bem fria, então é bom levar roupa abrigada.
  • Se você quiser tomar um banho na vila antes de dormir, você deve levar seu sabonete, xampu e toalha.
  • No trekking você não terá onde comprar água, o lugar é muito quente e úmido.
  • Se chover, podem haver sanguessugas, então cubra principalmente seus pés e use calça comprida.
  • Use sapatos e roupas confortáveis ​​para trekking e contra chuva, além de levar muita água.
  • Tente não começar a caminhada depois das 16h00, já que você pode se perder ou porque ao escurecer a probabilidade de encontrar cobras aumenta.
  • Leve lanterna, nunca é demais.

Esperamos que você aproveite a maravilhosa experiência de Wae Rebo e que o clima contribua para que seja um trekking tranquilo!

Tags : AsiabackpackingcultureIndonesiaSudeste asiaticoTravellingunescoviajeswae rebo

2 Comentarios

  1. Hola Magdalena!
    He llegado a este artículo por casualidad, buscando información sobre Flores. He leído otros artículos referentes a Wae Rebo y la mayoría negativos. Un gran atrapaturistas de hecho. Todos los turistas juntos en la misma casa, poco (o nulo) intercambio cultural, los guías que te obligan a contratar para llegar allí no hablan inglés y te ignoran durante la estancia, la comida básica por el precio que se paga… No me importa pagar un precio elevado si vale la pena, pero miles de euros al mes que reciben de esta actividad para un pueblo de 6 familias que en teoría viven de manera tradicional me parece un robo… Y el confort me da igual, hace mucho que viajo y voy en modo 4×4, pero de ahí a que me timen… pues no… 😛 Me puedes dar más detalles sobre tu experiencia ? Hasta qué punto te puedes relacionar con la gente local ? Cómo era tu guía ?
    Thank you!!!!!

    1. Hola Toni. Gracias por el comentario!
      Yo creo que cada experiencia es muy personal y depende de las expectativas de cada uno y de qué tan bien buscas información acerca de dónde vas. Nosotros cuando fuimos sabíamos que era una villa tradicional que al final se transformó en una atracción turística y decidimos ir a verlo con nuestros proprios ojos para poder formar una opinión y compartirla acá en el blog.

      Acerca de lo que comentas:

      1 – “Todos los turistas juntos en la misma casa”: Así es. Solo hay una casa que fue construida para que los turistas duerman. Las demás pertenecen a las familias y al jefe de la tribu, Alex. No esperes ningún tipo de confort en la casa. Duermes en el pis y te duchas con agua fría, que es de la misma manera en que viven los locales.

      2 – “poco (o nulo) intercambio cultural”: El intercambio cultural en el caso de Wae Rebo depende unicamente de nosotros los turistas. Los habitantes de la villa son tímidos y además están ocupados en sus tareas diarias. Si uno no se acerca a hablarles y preguntar acerca de su cultura, no hay intercambio. Al llegar a la villa, el jefe da una charla acerca de las tradiciones y de la historia de la villa que es muy interesante. Nosotros andábamos con amigos de Malasia e Indonesia que nos iban traduciendo todo. El día siguiente jugamos con los niños y nos acercamos a las casas a sacar fotos de la gente y conversar un poquito.
      3 – “los guías que te obligan a contratar para llegar allí no hablan inglés y te ignoran durante la estancia”: Tu no estás obligado a contratar ningún guía, pero es recomendable por el camino que puede ser algo difícil dependiendo de las condiciones climáticas. En caso de lluvia, pueden haber sanguijuelas por ejemplo. El guía que nos tocó hablaba poco ingles, pero lo suficiente para comunicarse. Pero no esperes un guía que vaya dando una charla mientras sube por la montaña. Normalmente ellos van callados, pero si les pregunta algo, te responden. Lo que puedes hacer es conversar con los guías antes de subir y escoger el que mejor ingles hable.

      4 – “la comida básica por el precio que se paga”: No sé muy bien a que se refieren con “comida básica”. Hay que recordar que estás en el medio de la montaña y lejos de la ciudad. La comida que se come es la misma que comen los locales. Nosotros cenamos arroz, verdura cocida y pollo. Además de café. El desayuno también fue sencillo, pero rico. Se nota que es comida casera. Las comidas se sirven en la casa en donde duermes y compartes con los demás turistas y los guías.

      5 – “Miles de euros al mes que reciben de esta actividad para un pueblo de 6 familias que en teoría viven de manera tradicional me parece un robo”:
      Según lo que leímos y conversamos, hay una persona que se encarga de repasar la plata a las familias, pero lo hace una vez al año y no sabemos que tan transparente sea ese proceso y si esa persona realmente repasa 100% de la plata a las familias. Lo que vimos nosotros es que esas personas realmente viven de manera tradicional y sin ningún tipo de comodidad, así que para nosotros no nos parece un robo, para nada.

      Como te dije antes, creo que depende mucho da la vivencia de cada uno y de las expectativas. Si esperas algún tipo de comodidad o comidas elaboradas, no vayas. Pero como dijiste que viajas hace tiempo y no te preocupas por el confort, creo que puede ser una buena oportunidad para que lo veas con tus proprios ojos y forme tu opinión acerca de la villa. Si logras descubrir un poco más acerca del tema del repaso de la plata, te pido que comparta la info con nosotros para que podamos actualizar el post.

      Acá te dejo el link del vlog de un amigo malayo que fue con nosotros a Wae Rebo y que quizás te sirva para verlo más de “cerca” antes de ir: https://www.youtube.com/watch?v=owQMJMgYmSQ

      Un abrazo y felices rutas!!

      Tiago y Magda

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