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Ha Long Bay
Magda en Ha Long Bay

Antes de começar nossa viagem pela Ásia, chegamos a conclusão que queríamos aprender mais sobre fotografia, já que é um algo que a gente curte muito e também porque queríamos voltar com as melhores fotos possíveis dessa aventura que estava por começar. Foi por isso que decidimos fazer um curso de fotografia básico para estar preparados para poder transmitir em imagens o que estávamos a ponto de viver e poder tirar proveito de toda a diversidade e riqueza cultural desse continente maravilhoso.

Não somos fotógrafos professionais e muito menos os másters de fotografia de viagem, mas dando uma olhada nas fotos do primeiro mês de viagem (Havaí) e comparando com as que fomos tirando mais tarde, percebemos que tínhamos melhorado bastante como fotógrafos amadores e recebemos criticas positivas das nossas fotos. Por esse motivo decidimos compartilhar com vocês o que aprendemos até aqui e o que consideramos importante para poder tirar uma foto boa, seja de uma viagem o do seu dia-a-dia.

Neste post você vai encontrar algumas dicas mais genéricas, enquanto outras serão mais específicas por tipo de foto, seja de paisagem, retratos, fotos noturnas, etc. Todas as fotos que vocês vão ver aqui são nossas, tiradas com a câmera ou o celular.

Dicas gerais

Limpa suas lentes

Revisando as fotos do começo da viagem, nós percebemos que havia uma quantidade imensa de manchas de pó, agua ou sujeira em quase todas as fotos que tiramos. Até que no Japão compramos um kit de limpeza e a quantidade de manchas diminuiu uns 80%, o que facilitava bastante a post-edição. A gente percebeu que até fotos “profissionais” em páginas de noticias continham manchas. Portanto para evitar que esses pontos escuros estraguem suas fotos, compra um kit de limpeza de lentes e limpa suas lentes antes de sair a tirar fotos por aí, além de leva-lo consigo sempre.

Neste exemplo da belíssima praia de areias verdes no Havaí não precisa nem aumentar a foto para ver o tanto de manchas escuras no céu. Pode ser a paisagem mais bonita que você tenha visto, mas dependendo da quantidade de manchas, a foto pode acabar arruinada.

Fotos con motas
Fotos con motas
Não tire fotos em automático

Não vou negar que há um ano atrás, nós também tirávamos fotos em automático e a verdade é que nos arrependemos muito. Quantos lugares maravilhoso visitamos e hoje no nosso álbum a maioria das fotos é de má qualidade. Ao tirar fotos em automático, dependendo da situação, a câmera pode subir muito o ISO para compensar a falta de luz e estragar a foto. Se você investigar um pouquinho sobre abertura, obturação e ISO, você vai poder tirar melhores fotos e vai perceber a melhora de forma instantânea.

Abertura: o diafragma é a parte da lente que limita a quantidade de luz que penetra pela lente e chega ao sensor. Funciona como a íris do olhos humano, que se abre ou se fecha para permitir que entre mais ou menos luz caso seja necessário. A abertura (f) se refere a quão aberto pode estar aberto o diafragma e depende de cada lente. Com a abertura você pode controlar a profundidade do objeto (figura), o que é essencial para tirar bons retratos ou fotos de produtos. A abertura funciona como figura e fundo, quanto maior a abertura do diafragma (f1.5), maior nitidez terá o objeto enfocado (figura) e menor nitidez terá o fundo. Quanto menor a abertura do diafragma (f22), maior será profundidade, ou seja, haverá menor diferença entre a figura e o fundo.

Velocidade de obturação: a velocidade de obturação é o tempo em que o obturador vai estar aberto no momento de tirar a foto. Ou seja, o obturador vai controlar a quantidade de luz que vai chegar ao sensor. Quanto mais lenta a velocidade, mais luz penetrará no sensor. Além disso, a velocidade do obturador pode provocar um efeito de “congelar” o movimento de algum objeto ou pessoa. Um bom exemplo é ao tirar uma foto de uma cachoeira:

  • Se queremos que a agua da cachoeira apareça nitida na foto, sem movimiento, debemos aumentar a velocidade da obturação a pelo menos 1/250.
  • Agora, se queremos producir um efeito de movimiento d’agua na foto, devemos diminuir a velocidade da obturação a pelo menos f1/20. Além disso é importante usar um tripé para evitar que a foto saia movida.

A mesma coisa acontece quando queremos fotografar alguém praticando esporte, é provável que queiramos congelar o movimento para que o objeto (a pessoa) se veja nítida independente de que tão rápido ela se mova. Nesse caso, teríamos que aumentar bastante a velocidade da obturação > f500, dependendo de que tão rápido se mova a pessoa.

ISO: O ISO indica a quantidade de luz que o sensor da câmera deve captar. O ISO complementa a abertura do diafragma e a velocidade de obturação para modificar a luz necessária para nossa foto. É importante saber que quanto mais alto o ISO, mais “ruído” gera na nossa foto, portanto nunca devemos ocupar o ISO como um parâmetro isolado. Resumindo:

A abertura do diafragma delimita a profundidade do campo; o tempo de exposição nos permite “congelar”o objeto que estamos fotografando, o então conseguir uma sensação de movimento e dinamismo; e o ISO é o complemento perfeito das outras duas variáveis porque nos ajuda a equilibrar a exposição agindo sobre a quantidade de luz que o sensor vai captar.

https://www.xataka.com/fotografia-y-video/que-es-la-sensibilidad-iso-y-como-puedes-usarla-para-mejorar-la-calidad-de-tus-fotografias

Cheat card
Cheat card

*Cheat card por: https://www.hamburger-fotospots.de

Para mais informação sobre ISO, velocidade de obturação e abertura, você pode assistir esse vídeo.

Cuidado com o ISO

Como comentei lá em cima, cuidado com o ISO. Si for possível, tenta nunca usar mais de 100 de ISO e só aumentá-lo quando for necessário. Você pode compensar a falta de luz com a abertura e a velocidade de obturação antes de subir o ISO. Uma foto com muito ISO acaba muito pixeleada e nem um editor de fotos pode corrigi-la. Tenta nunca deixar o ISO em automático para prevenir que a câmera o suba em demasia. Situações em você geralmente precisa subir o ISO:

  • Quando está muito escuro.
  • Quando você vai tirar foto de um céu estrelado ou da via láctea.
  • Em um show em algum lugar fechado com pouca luz natural.
  • Quando você quer congelar um momento e não pode abrir mais o diafragma.
  • Quando você precisa fechar o diafragma para poder ganhar mais profundidade e necessita mais luz.
Tira fotos em RAW

Se sua câmera te dá a opção de tirar fotos em RAW, aproveita! A palavra RAW vem de “cru” em inglês, porque ao gravar a foto na memoria, a câmera o faz sem processar a foto. É como se ela deixasse a foto “aberta” para que você a possa editar depois. Ao contrario de JPG, que ao guardar a foto, ela a comprime com um determinado balance de branco, saturação, exposição, contraste, etc e não te permite editá-la depois ou te limita muito o que você pode editar. Uma vez que você termine de editar uma foto em RAW, você a pode exportar como JPF, TIFF ou PNG. O que é importante considerar é que as fotos em RAW ocupam mais espaço em disco, por volta de 20MB, contra uns 2MB ou 3MB de uma JPG, então você vai precisar de um ou mais cartão de memoria com espaço suficiente.

Usa a regra dos terços

É algo que aprendemos no nosso curso de fotografia básica e que usamos para um grande porcentagem das fotos que a gente tira. Apesar de ser uma regra de composição básica, não muita gente a conhece e a verdade é que pode melhorar muito a harmonia das suas fotos. A regra consiste basicamente em dividir mentalmente sua foto em três terços, podendo ser na horizontal ou vertical, dependendo de como você for tirar a foto. Isso vai gerar nove partes iguais e quatro pontos de intersecção que são os pontos “fortes” que você deve usar. Quando você for tirar a foto, coloca seu ponto de interesse, modelo ou objeto em um desses 4 pontos fortes, em vez de colocá-lo no meio da foto. Além de harmonia, a regra de terços causa uma sensação de equilíbrio e profundidade na foto. Você vai ter uma foto muito mais interessante. Se você tiver 2 pontos de interesse na sua foto, coloca cada um em uma intersecção, de preferencia nas diagonais opostas. Ao começar a usar essa técnica, você vai perceber uma melhora imediata nas suas fotos.

Regla de tercios
Regla de tercios
Usa sua intuição

A intuição é uma das mestres na hora de tirar fotos. Pode ser que algumas vezes nos equivoquemos ao segui-la, porém em muitas outras nos levará a uma foto mais inspiradora. Se você vê algo ou alguém que te inspire uma foto, apenas pergunte se pode tirar sua foto, no máximo vão te dizer que não (nada de outro mundo). Além disso, está comprovado que depois que você se inspira e tira umas 10 fotos da mesma coisa, na maioria das vezes a primeira foto vai ser a melhor, já que foi a foto que você tirou com o coração e não com a razão. Sua intuição pode ser muito útil para tirar retratos ou moemntos.

Pratica

Talvez este ponto seja dos mais importantes desse post. O que realmente vai fazer com que suas fotos melhores é a prática! Se você não tiver afim de sair com sua câmera todos os dias, você pode praticar com a do telefone. O importante é que você continue tirando fotos, buscando inspiração e técnicas que te ajudem a melhorar de forma constante.

Dicas específicas

I. Retratos

Os retratos são um dos meus tipos favoritos de foto, mas quem domina essa arte é a Magda. A gente adora o fato de poder capturar as expressões de uma pessoa e poder plasmá-las em uma imagem. Eu pessoalmente acho que os retratos em branco e negro tem algo especial, um tchan! Se você for tirar fotos de retrato, tem em consideração o seguinte:

  • Usa foco manual: esse ponto não aplica exclusivamente para retratos, mas é de importância essencial que você possa enfocar nos olhos das pessoas se você quiser tirar um bom retrato. Todo o resto pode estar enfocado, mas se os olhos estiverem desenfocados, você perde a essência do retrato. Os olhos das pessoas tem sempre alguma coisa a dizer, uma informação guardada que cabe a você transmitir.
  • Profundidade: Tenta usar uma abertura não mais fechada que f5.3 (ou seja < f5.3) para poder criar um efeito em que o fundo se veja menos nítido e que se realce a figura da pessoa que você está retratando. Isso elimina qualquer objeto distrator do fundo e faz com que o olhar de quem estiver vendo sua foto se concentre somente na pessoa retratada. Se você quiser uma abertura de f1.8 por exemplo, tem em consideração que ao enfocar nos olhos da pessoa, é provável que o queixo já se veja menos nítido. É uma boa ideia se você quiser retratar somente o olhar da pessoa, mas se quiser uma foto de rosto inteiro, usa uma abertura de uns f4.0.
  • Expressões: para a gente, o retrato perfeito é o que consegue capturar as expressões das pessoas. Por isso as vezes tirar uma foto espontânea.
  • Usa a luz a seu favor: Sem luz não há fotografia, fato! A quantidade de luz na sua foto influi diretamente no resultado de esta. Tenta sempre usar luz natural quando for possível e se mova ou peça ao seu modelo que se mexa para aproveitar ao máximo a luz e os efeitos das sombras. Um raio de luz lateral entrando por uma janela é uma boa opção para tirar retratos.
  • Respeita quem está do outro lado da lente: Isso é importantíssimo. Viajando pela Ásia vimos muitos casos de gente tirando fotos de pessoas trabalhando, crianças, idosos, sem nem pedir primeiro. Isso é de extremo mal gosto e falta de educação, portanto não o faça. Se quiser tirar uma foto de um monge em Luan Prabang ou de uma velhinha arrugada no Vietnam, pergunta primeiro, e melhor ainda se for acompanhado de um sorriso. Quando terminar de tirar a foto, mostra o resultado à pessoa para que elas possam ver. É muito provável que eles te agradeçam com um sorriso também, principalmente se forem crianças.
II. Paisajes

As fotos de paisagem sempre me causaram um grande impacto. Eu fico assombrado quão belo é nosso planeta e poderia passar todo um dia admirando todas essas fotos. Agora, passa conseguir tirar foto de paisagens você depende de muitos fatores externos que podem influenciar sua foto, para bem ou para mal. Aqui te deixamos as dicas que consideramos importante para esse tipo de fotografia:

Usa uma lente de paisagem

A gente investigou muito antes de comprar nossa lente e investimos bastante nela (mais do que na câmera). Pra tirar fotos de paisagens você vai querer uma lente que seja capaz de capturar o máximo de informação possível. A gente usa uma lente 16-35mm de Sony.

Golden hour 

A Golden Hour é um curto período de tempo logo depois do amanhecer e um pouco antes do entardecer onde a luz é mais tênue e gera cores mais avermelhadas e douradas. Para fotos de paisagem, a cor mais “quente” do sol nesse momento e a pouca sombra que se produz é considerada ideal para realçar as cores da cena que pretende fotografar. E Não solo para paisagens, mas para fotos urbanas como templos, mesquitas, dá um toque ainda mais mágico a essas estruturas maravilhosas.

Golder Hour
Golder Hour, Cat Ba – Vietnam

Blue hour

A Blue Hour ocorre de manhã logo antes do amanhecer e de tarde logo depois do entardecer. Durante esses minutos o céu tem uma cor azul escuro e é possível ver um gradiente de cores de azul a laranja no horizonte. É um momento ideal para tirar fotos de paisagens pelos diferentes tons do céu e a saturação das cores. Também é um bom momento para tirar fotos da lua.

Em quase todas as fotografias, a qualidade da luz é o que faz ou estraga uma foto. Para fotógrafos profissionais, perseguir a luz, esperar por ela, às vezes ajudá-la e, finalmente, capturá-la é uma preocupação constante – e, para alguns, uma obsessão. Michael Freeman – Capturing Light: The heart of photography.

Blue hour
Blue hour, Agkor Wat

Mais informação sobre a Blue e Golden hour aqui.

Filtros

Até pouco tempo antes da viagem não havíamos escutado falar de filtros, mas depois de ler um pouco, percebemos que podem ser grandes aliados principalmente para fotos de paisagens. Nós usamos 3 filtros principalmente:

  • Polarizados: Funciona como os oculos de sol polarizados, reduzindo o brilho e reflexo das fotos. A gente o usa principalmente para tirar fotos de praias, rios e lagos. Ele faz com que uma água turquesa se veja ainda mais turquesa ou que a água azul se veja ainda mais azul!
Broken beach
Broken beach
  • Neutral Density: Os filtros ND, como são chamados, faz com que uma menor quantidade de luz entre pela lente, o que te permite tirar fotos com mais exposição em plena luz do dia. A gente usa principalmente para tirar fotos de cascada, quando queremos ter um efeito mais bonita da água ou também das nuvens.
Ban Gioc Waterfall
Ban Gioc Waterfall
  • UV: Não tem influencia na foto em si, mas é ideal para proteger a lente de pó, areia, etc. As lentes normalmente são bastante caras, algumas até mais caras que a própria câmera, então é bom cuidá-las.

Seja paciente

Como comentamos lá em cima, existem muitos fatores externos que podem impactar na sua foto, para bem ou para mal. Seja o excesso de luz, ou falta dela, fatores climáticos como chuva, vento, neve, etc. Portanto se você quiser a foto perfeita, é provável que você tenha que esperar pacientemente a que chegue o momento adequado, que pode durar apenas alguns segundos. As vezes você pode estar uma semana esperando para tirar uma foto e no final das contas o momento exato nunca chega.

Acorde cedo e durma tarde

Eu li isso num livro, e é bem verdade. Os fotógrafos de viagem normalmente tem que acordar muito cedo para conseguir tirar fotos com boa luz e sem os grandes grupos de turistas atrapalhando. A mesma coisa aplica para a noite, quando talvez seja melhor esperar que os turistas vão dormir ou estejam em um bar tomando cerveja para poder tirar fotos de uma cidade sem ninguém por exemplo.

III. Via láctea

Dependendo para onde você viaje, você pode ter a sorte de estar sob um céu maravilhoso, cheio de estrelas e com a via láctea só para ti. Tudo depende que não seja um dia nublado e da poluição luminosa que possa haver aonde você estiver. A gente teve a sorte de ver um céu lindíssimo no deserto de Atacama (Chile), na Tasmânia (Austrália) e no deserto de Gobi (Mongólia), todos com pouca ou nenhuma poluição luminosa. A gente usa a aplicação TPE para Android para ver informações sobre a poluição luminosa, sunrise e sunset.

Mas como podemos capturar toda a beleza do céu e a via láctea?

Usa a regra dos 500

Existe uma regra chamada a regra dos 500 que é muito útil para ter uma base da configuração básica necessária, e daí você só tem que ir ajustando alguns parâmetros. A regra dos 500 vai te ajudar a não capturar o movimento da estrelas (star trails) na sua foto da via láctea. Isso porque com a rotação da terra, se você tirar uma foto com muita exposição, você vai ver como se formam uns traços nas estrelas, e a não ser que seja a propósito, não vai ser o que o seus olhos estavam vendo naquele momento.

A regra é:

500 dividido pela distância focal da sua lente = exposição máxima (antes que comecem a gerar os traços).

Por exemplo, nós tiramos nossas fotos com uma lente de 16mm na nossa câmera full frame (para as câmeras que não são full frame o cálculo é diferente, você pode googleá-lo), então a matemática seria:

500/16 = 31s

Ou seja, 31 segundos é o tempo máximo de exposição antes de começar a gerar os traços. A partir daí você tem que começar a testar e ir ajustando o ISO e a exposição para encontrar a configuração ideal, sempre tentando não passar dos 31s. A gente normalmente começa com um ISO de 3200 e vamos ajustando para mais ou para menos dependendo das condições de luz. Lembra que um ISO muito alto gera muito “ruído” na foto.

Enfoca manualmente

É preciso desligar o foco automático da sua câmera, se não ela vai tentar enfocar eternamente, já que não há luz suficiente no momento de tirar a foto. Com o foco manual, você pode enfocar em uma estrela que tenha brilho suficiente ou usar uma lanterna para enfocar em algum objeto. Só não esquece de desligar a lanterna na hora da foto.

Usa um tripé

Se você for tirar uma foto de longa exposição você vai necessitar um tripé sim ou sim, já que se você tentar segurar a câmera com as mãos sua foto vai sair super borrada e sem nenhuma nitidez. Quando você tiver o seu tripé bem armado (sem duplo sentido por favor) e pronto para tirar a foto, cuidado com o vento que também pode mover a câmera enquanto ela está tirando a foto. Uma ideia é usar sacos de areia para afirmar o tripé (quem carrega sacos de areia pra algum lugar né?!) ou alguma coisa pesada como tua mochila ou algumas pedras. Além disso, dependendo da direção do vento, você pode tentar tapá-lo com seu corpo ou algum pedaço de papelão.

Além disso, tira a correia da câmera ou amarra-la no tripé pra que não se mexa e guarda o guarda sol (tive que googlear o nome) da lente.

IV. Edição fotográfica

Para que as fotos da sua viagem fiquem melhor ainda, investe um pouco de tempo na pós-edição, mesmo que seja alguns minutinhos. Não se preocupa que não é nada do outro mundo. Existem muitos tutoriais em YouTube que podem te ajudar e você vai aprender muito mais do que imagina. Os programas que nós recomendamos são Photoshop, Lightroom ou Capture One, mas você também pode usar IPhoto ou Google Photos (com menos funcionalidades e muito mais básicos). A gente usa o Capture One porque tínhamos desconto ao haver comprado a câmera da Sony. Como não somos expertos em nenhum dos 3, vamos a revisar somente o básico:

  • Balance de brancos: Normalmente usamos o balance de brancos da câmara em automático e na edição ajustamos se for necessário para mais quente, se for uma praia, entardecer ou fotos de comida, ou para mais frio dependendo da situação.
  • Desentortar: É muito difícil que a gente tire uma foto que não esteja torta! No nosso caso, sempre temos que desentortar as fotos na pós edição. Também é útil usar o indicador que vem na câmera, para tentar deixar a foto o mais alinhada possível.
  • Exposição/Saturação/Contraste: Dependendo da situação, você talvez precise ajustar a exposição, saturação ou contraste da foto. Uma dica é usar o ajuste automático do programa que você estiver ocupando e a partir daí ajustar pra mais ou para menos de acordo com seu gosto, reduzindo o brilho, sombras, contrastes, etc.
  • Remover manchas: Por mais que você limpe sua lente mil vezes por dia na viagem, sempre aparece uma ou outra manchinha na foto, mas não precisa se estressar, se depois de limpar ainda aparece alguma mancha na foto, dá pra eliminar com a pós-edição. A melhor forma é dar um pouco de zoom na foto e ir buscando as manchas uma a uma.
V. Backups

Com toda as essas dicas , você já deveria começar a notar uma melhora nas suas fotos. Mas uma parte muito importante de todo esse processo, principalmente de você estiver viajando, é fazer um backup das suas fotos. Perder todas suas fotos por não ter feito um backup pode ser algo desastroso e acredite que pode acontecer. Já escutamos muitas histórias de pessoas que perderam o celular, a câmera ou o computador sem ter feito backup e se arrependem até hoje!

  • Backups físicos: Como sempre, ou quase sempre, a conexão a internet é ruim e subir todas as fotos à nuvem termina sendo quase uma missão impossível, sempre tentamos fazer primeiro um backup físico das nossas fotos e vídeo. Pra isso temos um disco externo de 4TB (backup principal) e outro de 1TB (backup do backup). Normalmente fazemos os backups depois de cada país ou de algum lugar muito importante como a muralha da china, Angkor Wat, etc.
  • Backups na nuvem: O problema dos discos físicos é justamente o fato de serem físicos e que podem falhar em algum momento ou simplesmente podem ser perdidos ou roubados em uma viagem. Por isso, sempre deixamos um backup na nuvem, mais especificamente no Onde Drive, Por quê decidimos usar One Drive em vez de Google Drive ou Drop Box? Porque tínhamos 1TB grátis ao comprar a licença do Office e até agora há sido uma ferramenta muito boa.

Espero que estas dicas tenham sido de alguma ajuda para melhorar suas habilidades como fotógrafo, e se você tiver a oportunidade, não deixe de investir em um curso básico de fotografia. Aprender a tirar melhores fotos muda sua vida e suas memorias de viagem!

Tags : backpackingcámarafotografiafotosphotographytipsTravellingviajes
Tiago

The author Tiago

Antes de começar nossa viagem pela Ásia, chegamos a conclusão que queríamos aprender mais sobre fotografia, já que é um algo que a gente curte muito e também porque queríamos voltar com as melhores fotos possíveis dessa aventura que estava por começar. Foi por isso que decidimos fazer um curso de fotografia básico para estar preparados para poder transmitir em imagens o que estávamos a ponto de viver e poder tirar proveito de toda a diversidade e riqueza cultural desse continente maravilhoso.

Não somos fotógrafos professionais e muito menos os másters de fotografia de viagem, mas dando uma olhada nas fotos do primeiro mês de viagem (Havaí) e comparando com as que fomos tirando mais tarde, percebemos que tínhamos melhorado bastante como fotógrafos amadores e recebemos criticas positivas das nossas fotos. Por esse motivo decidimos compartilhar com vocês o que aprendemos até aqui e o que consideramos importante para poder tirar uma foto boa, seja de uma viagem o do seu dia-a-dia.

Neste post você vai encontrar algumas dicas mais genéricas, enquanto outras serão mais específicas por tipo de foto, seja de paisagem, retratos, fotos noturnas, etc. Todas as fotos que vocês vão ver aqui são nossas, tiradas com a câmera ou o celular.

Dicas gerais

Limpa suas lentes

Revisando as fotos do começo da viagem, nós percebemos que havia uma quantidade imensa de manchas de pó, agua ou sujeira em quase todas as fotos que tiramos. Até que no Japão compramos um kit de limpeza e a quantidade de manchas diminuiu uns 80%, o que facilitava bastante a post-edição. A gente percebeu que até fotos “profissionais” em páginas de noticias continham manchas. Portanto para evitar que esses pontos escuros estraguem suas fotos, compra um kit de limpeza de lentes e limpa suas lentes antes de sair a tirar fotos por aí, além de leva-lo consigo sempre.

Neste exemplo da belíssima praia de areias verdes no Havaí não precisa nem aumentar a foto para ver o tanto de manchas escuras no céu. Pode ser a paisagem mais bonita que você tenha visto, mas dependendo da quantidade de manchas, a foto pode acabar arruinada.

Fotos con motas
Fotos con motas
Não tire fotos em automático

Não vou negar que há um ano atrás, nós também tirávamos fotos em automático e a verdade é que nos arrependemos muito. Quantos lugares maravilhoso visitamos e hoje no nosso álbum a maioria das fotos é de má qualidade. Ao tirar fotos em automático, dependendo da situação, a câmera pode subir muito o ISO para compensar a falta de luz e estragar a foto. Se você investigar um pouquinho sobre abertura, obturação e ISO, você vai poder tirar melhores fotos e vai perceber a melhora de forma instantânea.

Abertura: o diafragma é a parte da lente que limita a quantidade de luz que penetra pela lente e chega ao sensor. Funciona como a íris do olhos humano, que se abre ou se fecha para permitir que entre mais ou menos luz caso seja necessário. A abertura (f) se refere a quão aberto pode estar aberto o diafragma e depende de cada lente. Com a abertura você pode controlar a profundidade do objeto (figura), o que é essencial para tirar bons retratos ou fotos de produtos. A abertura funciona como figura e fundo, quanto maior a abertura do diafragma (f1.5), maior nitidez terá o objeto enfocado (figura) e menor nitidez terá o fundo. Quanto menor a abertura do diafragma (f22), maior será profundidade, ou seja, haverá menor diferença entre a figura e o fundo.

Velocidade de obturação: a velocidade de obturação é o tempo em que o obturador vai estar aberto no momento de tirar a foto. Ou seja, o obturador vai controlar a quantidade de luz que vai chegar ao sensor. Quanto mais lenta a velocidade, mais luz penetrará no sensor. Além disso, a velocidade do obturador pode provocar um efeito de “congelar” o movimento de algum objeto ou pessoa. Um bom exemplo é ao tirar uma foto de uma cachoeira:

  • Se queremos que a agua da cachoeira apareça nitida na foto, sem movimiento, debemos aumentar a velocidade da obturação a pelo menos 1/250.
  • Agora, se queremos producir um efeito de movimiento d’agua na foto, devemos diminuir a velocidade da obturação a pelo menos f1/20. Além disso é importante usar um tripé para evitar que a foto saia movida.

A mesma coisa acontece quando queremos fotografar alguém praticando esporte, é provável que queiramos congelar o movimento para que o objeto (a pessoa) se veja nítida independente de que tão rápido ela se mova. Nesse caso, teríamos que aumentar bastante a velocidade da obturação > f500, dependendo de que tão rápido se mova a pessoa.

ISO: O ISO indica a quantidade de luz que o sensor da câmera deve captar. O ISO complementa a abertura do diafragma e a velocidade de obturação para modificar a luz necessária para nossa foto. É importante saber que quanto mais alto o ISO, mais “ruído” gera na nossa foto, portanto nunca devemos ocupar o ISO como um parâmetro isolado. Resumindo:

A abertura do diafragma delimita a profundidade do campo; o tempo de exposição nos permite “congelar”o objeto que estamos fotografando, o então conseguir uma sensação de movimento e dinamismo; e o ISO é o complemento perfeito das outras duas variáveis porque nos ajuda a equilibrar a exposição agindo sobre a quantidade de luz que o sensor vai captar.

https://www.xataka.com/fotografia-y-video/que-es-la-sensibilidad-iso-y-como-puedes-usarla-para-mejorar-la-calidad-de-tus-fotografias

Cheat card
Cheat card

*Cheat card por: https://www.hamburger-fotospots.de

Para mais informação sobre ISO, velocidade de obturação e abertura, você pode assistir esse vídeo.

Cuidado com o ISO

Como comentei lá em cima, cuidado com o ISO. Si for possível, tenta nunca usar mais de 100 de ISO e só aumentá-lo quando for necessário. Você pode compensar a falta de luz com a abertura e a velocidade de obturação antes de subir o ISO. Uma foto com muito ISO acaba muito pixeleada e nem um editor de fotos pode corrigi-la. Tenta nunca deixar o ISO em automático para prevenir que a câmera o suba em demasia. Situações em você geralmente precisa subir o ISO:

  • Quando está muito escuro.
  • Quando você vai tirar foto de um céu estrelado ou da via láctea.
  • Em um show em algum lugar fechado com pouca luz natural.
  • Quando você quer congelar um momento e não pode abrir mais o diafragma.
  • Quando você precisa fechar o diafragma para poder ganhar mais profundidade e necessita mais luz.
Tira fotos em RAW

Se sua câmera te dá a opção de tirar fotos em RAW, aproveita! A palavra RAW vem de “cru” em inglês, porque ao gravar a foto na memoria, a câmera o faz sem processar a foto. É como se ela deixasse a foto “aberta” para que você a possa editar depois. Ao contrario de JPG, que ao guardar a foto, ela a comprime com um determinado balance de branco, saturação, exposição, contraste, etc e não te permite editá-la depois ou te limita muito o que você pode editar. Uma vez que você termine de editar uma foto em RAW, você a pode exportar como JPF, TIFF ou PNG. O que é importante considerar é que as fotos em RAW ocupam mais espaço em disco, por volta de 20MB, contra uns 2MB ou 3MB de uma JPG, então você vai precisar de um ou mais cartão de memoria com espaço suficiente.

Usa a regra dos terços

É algo que aprendemos no nosso curso de fotografia básica e que usamos para um grande porcentagem das fotos que a gente tira. Apesar de ser uma regra de composição básica, não muita gente a conhece e a verdade é que pode melhorar muito a harmonia das suas fotos. A regra consiste basicamente em dividir mentalmente sua foto em três terços, podendo ser na horizontal ou vertical, dependendo de como você for tirar a foto. Isso vai gerar nove partes iguais e quatro pontos de intersecção que são os pontos “fortes” que você deve usar. Quando você for tirar a foto, coloca seu ponto de interesse, modelo ou objeto em um desses 4 pontos fortes, em vez de colocá-lo no meio da foto. Além de harmonia, a regra de terços causa uma sensação de equilíbrio e profundidade na foto. Você vai ter uma foto muito mais interessante. Se você tiver 2 pontos de interesse na sua foto, coloca cada um em uma intersecção, de preferencia nas diagonais opostas. Ao começar a usar essa técnica, você vai perceber uma melhora imediata nas suas fotos.

Regla de tercios
Regla de tercios
Usa sua intuição

A intuição é uma das mestres na hora de tirar fotos. Pode ser que algumas vezes nos equivoquemos ao segui-la, porém em muitas outras nos levará a uma foto mais inspiradora. Se você vê algo ou alguém que te inspire uma foto, apenas pergunte se pode tirar sua foto, no máximo vão te dizer que não (nada de outro mundo). Além disso, está comprovado que depois que você se inspira e tira umas 10 fotos da mesma coisa, na maioria das vezes a primeira foto vai ser a melhor, já que foi a foto que você tirou com o coração e não com a razão. Sua intuição pode ser muito útil para tirar retratos ou moemntos.

Pratica

Talvez este ponto seja dos mais importantes desse post. O que realmente vai fazer com que suas fotos melhores é a prática! Se você não tiver afim de sair com sua câmera todos os dias, você pode praticar com a do telefone. O importante é que você continue tirando fotos, buscando inspiração e técnicas que te ajudem a melhorar de forma constante.

Dicas específicas

I. Retratos

Os retratos são um dos meus tipos favoritos de foto, mas quem domina essa arte é a Magda. A gente adora o fato de poder capturar as expressões de uma pessoa e poder plasmá-las em uma imagem. Eu pessoalmente acho que os retratos em branco e negro tem algo especial, um tchan! Se você for tirar fotos de retrato, tem em consideração o seguinte:

  • Usa foco manual: esse ponto não aplica exclusivamente para retratos, mas é de importância essencial que você possa enfocar nos olhos das pessoas se você quiser tirar um bom retrato. Todo o resto pode estar enfocado, mas se os olhos estiverem desenfocados, você perde a essência do retrato. Os olhos das pessoas tem sempre alguma coisa a dizer, uma informação guardada que cabe a você transmitir.
  • Profundidade: Tenta usar uma abertura não mais fechada que f5.3 (ou seja < f5.3) para poder criar um efeito em que o fundo se veja menos nítido e que se realce a figura da pessoa que você está retratando. Isso elimina qualquer objeto distrator do fundo e faz com que o olhar de quem estiver vendo sua foto se concentre somente na pessoa retratada. Se você quiser uma abertura de f1.8 por exemplo, tem em consideração que ao enfocar nos olhos da pessoa, é provável que o queixo já se veja menos nítido. É uma boa ideia se você quiser retratar somente o olhar da pessoa, mas se quiser uma foto de rosto inteiro, usa uma abertura de uns f4.0.
  • Expressões: para a gente, o retrato perfeito é o que consegue capturar as expressões das pessoas. Por isso as vezes tirar uma foto espontânea.
  • Usa a luz a seu favor: Sem luz não há fotografia, fato! A quantidade de luz na sua foto influi diretamente no resultado de esta. Tenta sempre usar luz natural quando for possível e se mova ou peça ao seu modelo que se mexa para aproveitar ao máximo a luz e os efeitos das sombras. Um raio de luz lateral entrando por uma janela é uma boa opção para tirar retratos.
  • Respeita quem está do outro lado da lente: Isso é importantíssimo. Viajando pela Ásia vimos muitos casos de gente tirando fotos de pessoas trabalhando, crianças, idosos, sem nem pedir primeiro. Isso é de extremo mal gosto e falta de educação, portanto não o faça. Se quiser tirar uma foto de um monge em Luan Prabang ou de uma velhinha arrugada no Vietnam, pergunta primeiro, e melhor ainda se for acompanhado de um sorriso. Quando terminar de tirar a foto, mostra o resultado à pessoa para que elas possam ver. É muito provável que eles te agradeçam com um sorriso também, principalmente se forem crianças.
II. Paisajes

As fotos de paisagem sempre me causaram um grande impacto. Eu fico assombrado quão belo é nosso planeta e poderia passar todo um dia admirando todas essas fotos. Agora, passa conseguir tirar foto de paisagens você depende de muitos fatores externos que podem influenciar sua foto, para bem ou para mal. Aqui te deixamos as dicas que consideramos importante para esse tipo de fotografia:

Usa uma lente de paisagem

A gente investigou muito antes de comprar nossa lente e investimos bastante nela (mais do que na câmera). Pra tirar fotos de paisagens você vai querer uma lente que seja capaz de capturar o máximo de informação possível. A gente usa uma lente 16-35mm de Sony.

Golden hour 

A Golden Hour é um curto período de tempo logo depois do amanhecer e um pouco antes do entardecer onde a luz é mais tênue e gera cores mais avermelhadas e douradas. Para fotos de paisagem, a cor mais “quente” do sol nesse momento e a pouca sombra que se produz é considerada ideal para realçar as cores da cena que pretende fotografar. E Não solo para paisagens, mas para fotos urbanas como templos, mesquitas, dá um toque ainda mais mágico a essas estruturas maravilhosas.

Golder Hour
Golder Hour, Cat Ba – Vietnam

Blue hour

A Blue Hour ocorre de manhã logo antes do amanhecer e de tarde logo depois do entardecer. Durante esses minutos o céu tem uma cor azul escuro e é possível ver um gradiente de cores de azul a laranja no horizonte. É um momento ideal para tirar fotos de paisagens pelos diferentes tons do céu e a saturação das cores. Também é um bom momento para tirar fotos da lua.

Em quase todas as fotografias, a qualidade da luz é o que faz ou estraga uma foto. Para fotógrafos profissionais, perseguir a luz, esperar por ela, às vezes ajudá-la e, finalmente, capturá-la é uma preocupação constante – e, para alguns, uma obsessão. Michael Freeman – Capturing Light: The heart of photography.

Blue hour
Blue hour, Agkor Wat

Mais informação sobre a Blue e Golden hour aqui.

Filtros

Até pouco tempo antes da viagem não havíamos escutado falar de filtros, mas depois de ler um pouco, percebemos que podem ser grandes aliados principalmente para fotos de paisagens. Nós usamos 3 filtros principalmente:

  • Polarizados: Funciona como os oculos de sol polarizados, reduzindo o brilho e reflexo das fotos. A gente o usa principalmente para tirar fotos de praias, rios e lagos. Ele faz com que uma água turquesa se veja ainda mais turquesa ou que a água azul se veja ainda mais azul!
Broken beach
Broken beach
  • Neutral Density: Os filtros ND, como são chamados, faz com que uma menor quantidade de luz entre pela lente, o que te permite tirar fotos com mais exposição em plena luz do dia. A gente usa principalmente para tirar fotos de cascada, quando queremos ter um efeito mais bonita da água ou também das nuvens.
Ban Gioc Waterfall
Ban Gioc Waterfall
  • UV: Não tem influencia na foto em si, mas é ideal para proteger a lente de pó, areia, etc. As lentes normalmente são bastante caras, algumas até mais caras que a própria câmera, então é bom cuidá-las.

Seja paciente

Como comentamos lá em cima, existem muitos fatores externos que podem impactar na sua foto, para bem ou para mal. Seja o excesso de luz, ou falta dela, fatores climáticos como chuva, vento, neve, etc. Portanto se você quiser a foto perfeita, é provável que você tenha que esperar pacientemente a que chegue o momento adequado, que pode durar apenas alguns segundos. As vezes você pode estar uma semana esperando para tirar uma foto e no final das contas o momento exato nunca chega.

Acorde cedo e durma tarde

Eu li isso num livro, e é bem verdade. Os fotógrafos de viagem normalmente tem que acordar muito cedo para conseguir tirar fotos com boa luz e sem os grandes grupos de turistas atrapalhando. A mesma coisa aplica para a noite, quando talvez seja melhor esperar que os turistas vão dormir ou estejam em um bar tomando cerveja para poder tirar fotos de uma cidade sem ninguém por exemplo.

III. Via láctea

Dependendo para onde você viaje, você pode ter a sorte de estar sob um céu maravilhoso, cheio de estrelas e com a via láctea só para ti. Tudo depende que não seja um dia nublado e da poluição luminosa que possa haver aonde você estiver. A gente teve a sorte de ver um céu lindíssimo no deserto de Atacama (Chile), na Tasmânia (Austrália) e no deserto de Gobi (Mongólia), todos com pouca ou nenhuma poluição luminosa. A gente usa a aplicação TPE para Android para ver informações sobre a poluição luminosa, sunrise e sunset.

Mas como podemos capturar toda a beleza do céu e a via láctea?

Usa a regra dos 500

Existe uma regra chamada a regra dos 500 que é muito útil para ter uma base da configuração básica necessária, e daí você só tem que ir ajustando alguns parâmetros. A regra dos 500 vai te ajudar a não capturar o movimento da estrelas (star trails) na sua foto da via láctea. Isso porque com a rotação da terra, se você tirar uma foto com muita exposição, você vai ver como se formam uns traços nas estrelas, e a não ser que seja a propósito, não vai ser o que o seus olhos estavam vendo naquele momento.

A regra é:

500 dividido pela distância focal da sua lente = exposição máxima (antes que comecem a gerar os traços).

Por exemplo, nós tiramos nossas fotos com uma lente de 16mm na nossa câmera full frame (para as câmeras que não são full frame o cálculo é diferente, você pode googleá-lo), então a matemática seria:

500/16 = 31s

Ou seja, 31 segundos é o tempo máximo de exposição antes de começar a gerar os traços. A partir daí você tem que começar a testar e ir ajustando o ISO e a exposição para encontrar a configuração ideal, sempre tentando não passar dos 31s. A gente normalmente começa com um ISO de 3200 e vamos ajustando para mais ou para menos dependendo das condições de luz. Lembra que um ISO muito alto gera muito “ruído” na foto.

Enfoca manualmente

É preciso desligar o foco automático da sua câmera, se não ela vai tentar enfocar eternamente, já que não há luz suficiente no momento de tirar a foto. Com o foco manual, você pode enfocar em uma estrela que tenha brilho suficiente ou usar uma lanterna para enfocar em algum objeto. Só não esquece de desligar a lanterna na hora da foto.

Usa um tripé

Se você for tirar uma foto de longa exposição você vai necessitar um tripé sim ou sim, já que se você tentar segurar a câmera com as mãos sua foto vai sair super borrada e sem nenhuma nitidez. Quando você tiver o seu tripé bem armado (sem duplo sentido por favor) e pronto para tirar a foto, cuidado com o vento que também pode mover a câmera enquanto ela está tirando a foto. Uma ideia é usar sacos de areia para afirmar o tripé (quem carrega sacos de areia pra algum lugar né?!) ou alguma coisa pesada como tua mochila ou algumas pedras. Além disso, dependendo da direção do vento, você pode tentar tapá-lo com seu corpo ou algum pedaço de papelão.

Além disso, tira a correia da câmera ou amarra-la no tripé pra que não se mexa e guarda o guarda sol (tive que googlear o nome) da lente.

IV. Edição fotográfica

Para que as fotos da sua viagem fiquem melhor ainda, investe um pouco de tempo na pós-edição, mesmo que seja alguns minutinhos. Não se preocupa que não é nada do outro mundo. Existem muitos tutoriais em YouTube que podem te ajudar e você vai aprender muito mais do que imagina. Os programas que nós recomendamos são Photoshop, Lightroom ou Capture One, mas você também pode usar IPhoto ou Google Photos (com menos funcionalidades e muito mais básicos). A gente usa o Capture One porque tínhamos desconto ao haver comprado a câmera da Sony. Como não somos expertos em nenhum dos 3, vamos a revisar somente o básico:

  • Balance de brancos: Normalmente usamos o balance de brancos da câmara em automático e na edição ajustamos se for necessário para mais quente, se for uma praia, entardecer ou fotos de comida, ou para mais frio dependendo da situação.
  • Desentortar: É muito difícil que a gente tire uma foto que não esteja torta! No nosso caso, sempre temos que desentortar as fotos na pós edição. Também é útil usar o indicador que vem na câmera, para tentar deixar a foto o mais alinhada possível.
  • Exposição/Saturação/Contraste: Dependendo da situação, você talvez precise ajustar a exposição, saturação ou contraste da foto. Uma dica é usar o ajuste automático do programa que você estiver ocupando e a partir daí ajustar pra mais ou para menos de acordo com seu gosto, reduzindo o brilho, sombras, contrastes, etc.
  • Remover manchas: Por mais que você limpe sua lente mil vezes por dia na viagem, sempre aparece uma ou outra manchinha na foto, mas não precisa se estressar, se depois de limpar ainda aparece alguma mancha na foto, dá pra eliminar com a pós-edição. A melhor forma é dar um pouco de zoom na foto e ir buscando as manchas uma a uma.
V. Backups

Com toda as essas dicas , você já deveria começar a notar uma melhora nas suas fotos. Mas uma parte muito importante de todo esse processo, principalmente de você estiver viajando, é fazer um backup das suas fotos. Perder todas suas fotos por não ter feito um backup pode ser algo desastroso e acredite que pode acontecer. Já escutamos muitas histórias de pessoas que perderam o celular, a câmera ou o computador sem ter feito backup e se arrependem até hoje!

  • Backups físicos: Como sempre, ou quase sempre, a conexão a internet é ruim e subir todas as fotos à nuvem termina sendo quase uma missão impossível, sempre tentamos fazer primeiro um backup físico das nossas fotos e vídeo. Pra isso temos um disco externo de 4TB (backup principal) e outro de 1TB (backup do backup). Normalmente fazemos os backups depois de cada país ou de algum lugar muito importante como a muralha da china, Angkor Wat, etc.
  • Backups na nuvem: O problema dos discos físicos é justamente o fato de serem físicos e que podem falhar em algum momento ou simplesmente podem ser perdidos ou roubados em uma viagem. Por isso, sempre deixamos um backup na nuvem, mais especificamente no Onde Drive, Por quê decidimos usar One Drive em vez de Google Drive ou Drop Box? Porque tínhamos 1TB grátis ao comprar a licença do Office e até agora há sido uma ferramenta muito boa.

Espero que estas dicas tenham sido de alguma ajuda para melhorar suas habilidades como fotógrafo, e se você tiver a oportunidade, não deixe de investir em um curso básico de fotografia. Aprender a tirar melhores fotos muda sua vida e suas memorias de viagem!

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